As especificidades de ser mulher na dependência química

O QUE É SER MULHER?
O QUE É SER MULHER NA DEPENDÊNCIA
QUÍMICA?
GÊNERO
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Estudar a categoria de gênero é ir além de um termo usado para diferenciar o
sexo feminino e masculino, mas introduzi-lo em um contexto bem mais amplo
que permite compreender o ser homem e o ser mulher enquanto inseridos em
um processo histórico, social, cultural e econômico, promovendo uma maior
visibilidade das particularidades e necessidades de ambos.
O tratamento oferecido nos nossos serviços focaliza as
particularidades do universo feminino no âmbito das
relações de gênero.
MULHERES E DQ
• Mulheres DQ: características e necessidades
• Intervenções para pessoas usuárias de drogas
baseados em necessidades masculinas.
•1980: início de pesquisas sobre consumo de
drogas pelas mulheres, centradas no
álcool/tabaco abordagem condenatória.
• Escassez de pesquisas com esse subgrupo foi
identificada nos anos 80: reivindicações dos
movimentos feministas americanos pela criação
de programas terapêuticos mais adequados e
sensíveis às prioridades femininas.
MULHERES E DQ
• O estudo sistemático com mulheres DQ ocorreu nos últimos 50 anos e as
abordagens que atendam as necessidades desse subgrupo há uns 20 anos
(BRASILIANO, HOCHGRAF, 2006; BLUME, 1986).
• Despreparo das equipes de saúde.
• Necessidade de pesquisas voltados mais para as diferenças entre as mulheres (e
suas peculiaridades) do que a comparação de suas características com os
homens.
MULHERES E DQ
• O consumo de SPA por mulheres é crescente. Nas últimas décadas tem
aumentado consideravelmente, tornando-se um problema de saúde pública.
• Muitos pesquisadores tem relatado diferenças nos padrões de uso entre
homens e mulheres. Há diferenças de gênero em relação as consequencias
sociais, psicológicas e físicas.
MULHERES E DQ
A literatura pertinente aponta a taxa de consumo, o tipo da droga, a idade, taxas
de mortalidade e comorbidade como principais diferenças de gênero em relação
ao uso de drogas.
EPIDEMIOLOGIA
• Cerveja é a principal bebida alcoólica consumida
por homens e mulheres no Brasil, porém as
mulheres mostraram consumir mais vinho em
relação aos homens.
• Consumo de benzodiazepínicos, anorexígenos e
analgésico é mais elevado entre as mulheres.
EPIDEMIOLOGIA
•Estudos relatam que o uso de álcool entre meninas de
14 a 18 anos se equipara a de meninos. Em relação ao
tabaco, meninas apresentam maior probabilidade de
dependência.
• Nos EUA as adolescentes superam os meninos no uso de
estimulantes e tranquilizantes, tornando-se mais
vulneráveis, quando adultas, a desenvolverem quadro de
dependência.
• Medicamentos inibidores do apetite têm uso
predominante por mulheres jovens e adultas na busca
de atender aos padrões de beleza determinados
socialmente.
PADRÃO DE USO
EFEITO TELESCÓPIO: mulheres iniciam o consumo
mais tarde, porém evoluem mais depressa, mas em
geral chegam ao tratamento com a mesma idade
dos homens.
Demoram a procurar tratamento devido a
sentimentos de culpa e medo, reforçados pelo
estigma social e muitos tratamentos não se
adequam a sua realidade (questões de gênero,
cuidado com os filhos, horários flexíveis, etc)
DIFERENÇAS DE GÊNERO:
FATORES BIOLÓGICOS
• ÁLCOOL:
• Volume corporal de água na mulher é menor, elevando as concentrações de
álcool no sangue;
• Ao envelhecerem, há aumento da razão gordura/água o que as tornam ainda
mais sensíveis ao álcool;
• Menos quantidade da enzima álcool-desidrogenase no estômago. Em menor
quantidade as mulheres metabolizam o álcool mais lentamente, resultando
em maior absorção do álcool ingerido.
• Tolerância a bebida é menor que a dos homens.
DIFERENÇAS DE GÊNERO:
FATORES BIOLÓGICOS
• COCAÍNA:
• Resposta subjetiva da cocaína inalada é mais duradoura nas mulheres, nos
homens é mais intensa e rápida;
DIFERENÇAS DE GÊNERO:
FATORES BIOLÓGICOS
• TABACO:
• As mulheres tendem a tragar mais
profundamente e com mais frequência para
obterem o mesmo efeito.
DIFERENÇAS DE GÊNERO:
FATORES GENÉTICOS
• Estudos sobre alcoolismo com gêmeos mostram uma maior influência genética
em homens (33%) do que em mulheres (11%).
• Os efeitos ambientais parecem ter um impacto mais significativo no início do
uso de substâncias ilícitas entre as mulheres.
• Fatores genéticos podem modular a progressão do uso experimental ao padrão
de uso e dependência.
DIFERENÇAS DE GÊNERO:
FATORES PSICOLÓGICOS E AMBIENTAIS
• Sentimentos como: timidez, ansiedade e
preocupação com a imagem corporal são com
frequência relatados por meninas e mulheres
usuárias de SPA.
• Adolescentes: padrões de beleza muito altos.
• São mais propensas a transtornos psiquiátricos
primários com DQ secundária.
DIFERENÇAS DE GÊNERO:
FATORES PSICOLÓGICOS
• Mulheres usuárias de SPA apresentam taxa de
comorbidades psiquiátrica maiores que homens.
• Transtornos do humor (ex. mania e depressão),
ansiedade (ex. fobia e estresse pós traumático).
• Exibem maior risco de distimias (T Depressivo
Persistente), TOC, e transtorno do pânico, sendo este,
especialmente no uso de maconha.
• Homens são mais suscetíveis a transtorno de
personalidade antissocial, jogo patológico e TDAH.
DIFERENÇAS DE GÊNERO:
FATORES SOCIAIS
• Abandono dos filhos (perdem a guarda).
• Praticam sexo sem proteção e se envolvem em
situações de violência (prostituição, estupro,
violência doméstica).
PREJUÍZOS A SAÚDE
• ÁLCOOL:
• Hipertensão, desnutrição, anemia, doenças cardiovasculares, doenças
hepáticas, gástricas, CA de mama.
• Funções reprodutivas também podem ficar comprometidas: ausência de
ovulação, diminuição dos ovários e infertilidade.
PREJUÍZOS A SAÚDE
• COCAINA:
• Hiperprolactinemia, alteração do ciclo menstrual, amnorréia, galactorréia,
infertilidade.
• Em estudo norte-americano, as mulheres relataram mais dores de cabeça e
mais relações sexuais não desejadas do que os homens, que, por sua vez,
referiram paranóia e agressão física a outra pessoa como consequências
adversas do uso da cocaína.
PREJUÍZOS A SAÚDE
• TABACO:
• Maior prejuízo para o sistema imunológico, doenças cardiovasculares, CA de
pulmão e bexiga em comparação aos homens.
• Maiores taxas de prevalência de CA de ovário, mama e colo de útero se
comparadas as mulheres não fumantes.
• Nicotina pode levar a alterações no ciclo menstrual, infertilidade,
menopausa precoce.
PREJUÍZOS SOCIAIS E PSICOLÓGICOS
• Mulheres que consomem álcool e outras
drogas são mais vulneráveis a
determinados danos e agravos pessoais e
à saúde.
• Relatam mais relações sexuais não
desejadas.
• Maior risco de contrair infecção pelo HIV.
• O uso de álcool e outras SPA aumenta o
risco e a exposição a situações de
violência vivenciadas pela mulher,
Exposição Hemma Thomas, 2015 especialmente de violência doméstica.
A representação de que o consumo de drogas é um comportamento desviante e
de que a mulher que adota tal conduta está duplamente contrariando as normas
sociais, diante da possibilidade de não cumprir os papéis sociais e culturais a
elas destinados, quais sejam: mãe, esposa e cuidadora da família, contribui para
que as mulheres façam um consumo às escondidas.
ESPECIFICIDADES DE MULHERES
USUÁRIAS DE DROGAS – TRATAMENTO
As mulheres usuárias de drogas enfrentam barreiras de ordem estrutural,
sistêmica, social, cultural e pessoal na busca e permanência de tratamento. Falta
de habilidade para identificação da diferença de gênero.
Serviço de saúde especializado na Bahia:
◦ atividades internas: mulheres atendidas se apresentavam como acompanhantes,
familiares e/ou parceiras de usuários,
◦ atividades externas: registro significativo de atendimento de mulheres usuárias de
drogas.
ESPECIFICIDADES DE MULHERES
USUÁRIAS DE DROGAS – TRATAMENTO
IMPORTÂNCIA DE DIVERSIFICAÇÃO DE ABORDAGENS DO TEMA.
Diferenças nos problemas trazidos:
HOMENS: problemas legais e profissionais, preocupação com a abstinência – o
uso e suas recaídas;
MULHERES: problemas físicos e familiares, costumam ter como questão as
relações interpessoais, sua vida emocional, etc.
ESPECIFICIDADES DE MULHERES
USUÁRIAS DE DROGAS – TRATAMENTO
Nos tratamentos mistos, os interesses masculinos predominam em função do
menor número de mulheres.
Mulheres podem se sentir atacadas pelo público masculino em grupos mistos,
quando aparecem discursos: “homens podem beber e mulheres não”, “para os
homens já é feio beber, imagina para as mulheres”, “as mulheres que bebem são
fáceis”, “as mulheres que estão na bocada são vagabundas” PRECONCEITOS
SOCIAIS E ESTEREÓTIPOS ligados a VALORES MORAIS do ato consumir drogas.
ESPECIFICIDADES DE MULHERES
USUÁRIAS DE DROGAS – TRATAMENTO
Grupos específicos: favorecida discussão de questões femininas importantes –
abuso sexual, violência doméstica, preocupação com filhos, preocupação com o
corpo, baixa autoestima.
INQUIETAÇÕES:
1) As questões femininas são fatores que dizem respeito apenas às mulheres?
2) Qual a função de cada grupo no tratamento?
ESPECIFICIDADES DE MULHERES
USUÁRIAS DE DROGAS – TRATAMENTO
Necessidades específicas para mulheres grávidas, mulheres mães ou
responsáveis por crianças, trabalhadoras do sexo, presidiárias e pertencentes a
minorias raciais e étnicas
CONCLUSÃO
Os dados apresentados refletem a necessidade de implantação e
implementação de estratégias para o enfrentamento do fenômeno das drogas
baseadas em especificidades individuais e de grupos de forma a contemplar a
heterogeneidade dos sujeitos em seus distintos contextos.
As especificidades de ser mulher na dependência química
As especificidades de ser mulher na dependência química
As especificidades de ser mulher na dependência química
As especificidades de ser mulher na dependência química
As especificidades de ser mulher na dependência química
As especificidades de ser mulher na dependência química
As especificidades de ser mulher na dependência química
As especificidades de ser mulher na dependência química
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