Comorbidades psiquiátricas nas Mulheres

Associadas ao uso de SPAs em MULHERES aparecem com frequência na literatura, como:
Transtorno de Personalidade, Depressão, Transtorno Bipolar, Transtornos de Ansiedade e Transtornos
Alimentares.
Mulheres, mais frequentemente do que os homens têm risco aumentado de
também apresentarem algum outro problema psiquiátrico (65% contra 44%).
A identificação da existência ou não de um quadro de depressão é importante
para o resultado do tratamento.
ASPECTOS FUNDAMENTAIS DO 12
TRATAMENTO PARA MULHERES
1. Mulheres dependentes químicas sofrem intensos
estigmas sociais, que decorre muitas vezes da
noção incorreta de que elas sejam mais promiscuas
e sexualmente disponíveis. Este estigma faz com
que muitas tenham vergonha de admitir o problema
de procurar o tratamento correto. Além disso, muitos
profissionais de saúde também não se sentem a
vontade em perguntar sobre o uso de álcool/drogas
para mulheres, o que retarda o diagnostico e
adequado encaminhamento.
2. As mulheres ainda enfrentam outras
barreiras na busca por tratamento, tais
como: não ter com quem deixar os
filhos e medo de perder a guarda dos
filhos se admitirem que tem um
problema de álcool/drogas.
3. A alta prevalência de transtornos
psiquiátricos em mulheres dependentes
químicas exige cuidadosa avaliação psiquiátrica.
O profissional deve determinar qual o problema
ocorreu antes, porque um transtorno primário
(mais frequentemente o caso entre mulheres)
dificilmente melhorara somente com a abstinência
e o uso de medicação especifica pode ser
necessário. Além disso, a avaliação apropriada
das comorbidades psiquiátricas pode evitar a
prescrição inadequada de calmantes (uma pratica
mais comum quando o cliente é mulher),
prevenindo o desenvolvimento de futuros
quadros de dependência.
4. Uma vez que tentativas de suicídio são
especialmente comuns entre mulheres
dependentes químicas, particular atenção
deve ser dada a esse aspecto quando da
avaliação inicial do paciente.
5. Mulheres dependentes químicas relatam com
maior frequência comportamentos sexuais de
risco e descuido no manuseio de seringas do
que os homens. Assim, uma revisão completa
do estado físico, com especial atenção para
fatores de risco para o HIV é necessária.
6. O abuso de álcool/drogas pode
funcionar como forma de controlar
o peso para muitas mulheres. Além
de investigar ativamente a existência
de transtornos alimentares, o
profissional deve aproveitar a
oportunidade para discutir nutrição e
exercício físicos como forma mais
saudável de manter o peso.
7. O uso de álcool/drogas entre
mulheres sofre maior influencia
dos companheiros e da família
do que os homens. Portanto é
importante perguntar sobre
problemas relacionados a
álcool/drogas na família do
paciente. Elas terão maior chance
de recaída se o ambiente
familiar/social problemático
permanecer o mesmo.
8. É importante perguntar sobre o abuso sexual
e/ou físico. Mulheres que estejam passando por
esses problemas precisam primeiro encontrar um
lugar seguro para morar ou o tratamento
dificilmente será bem sucedido.
9. Outro passo importante é encorajar a
participação da família no
tratamento, uma vez que a família é
mais profundamente afetada quando a
mulher tem um problema de
dependência química. Eventualmente,
será necessária terapia familiar. Além
disso, mães, particularmente mães
solteiras podem ter dificuldade em
conciliar trabalho e cuidado com os
filhos, o que representa um desafio em
sua recuperação.
10.A gestação é um momento
particularmente importante. Neste
período, as mulheres encontram-se
mais motivadas para o tratamento,
cujos ganhos se mantém mesmo
quando a criança já nasceu.
11.Muitas mulheres acham mais fáceis
falar sobre problemas sexuais e
outros quando não há homens no
grupo e o abandono ao tratamento
parece ser menor em grupos só de
mulheres propriamente ditas, baseadas
no tipo de substancia, faixa etária,
educação, estado civil, dentre outros
aspectos. O ideal seria oferecer os dois
tipos de tratamento: grupo misto e
grupo só de mulheres.
grupo só de mulheres.
12.para saber mais,
visite http://www.womenforsobriety.org e http://www.aa.org
DESAFIOS
As mulheres são a maioria da população brasileira
(50,77%) e as principais usuárias do Sistema Único de Saúde
(SUS). Como não pensar em atendimento especializado para
essas mulheres?
Em 1984, o Ministério da Saúde
elaborou o Programa de Assistência
Integral à Saúde da Mulher (PAISM),
Em 2003, a Área Técnica de Saúde da
Mulher identifica ainda a necessidade de
articulação com outras áreas técnicas e da
proposição de novas ações, quais sejam:
atenção às mulheres rurais, com deficiência,
negras, indígenas, presidiárias e lésbicas e a
participação nas discussões e atividades sobre
saúde da mulher e meio ambiente.
ÁLCOOL
• Centenas de milhares de mulheres bebem álcool, fumam cigarros,
ou usam drogas ilícitas durante gravidez;
• Elas são brancas, pretas, Hispânicas, ricas, pobres, e mais
pobres. Elas são de todas as culturas e etnias sociais.
O uso dessa substância por mulheres grávidas pode acarretar ao feto a Síndrome Fetal pelo
Álcool (SAF), que se caracteriza pela presença de defeitos congênitos ocasionados pelo
consumo materno de álcool durante a gravidez. Ela é considerada a causa mais comum de
retardo mental infantil de natureza não hereditária.
O problema maior é que os efeitos da exposição ao álcool durante a gravidez são
permanentes e não podem ser revertidos. Abstinência completa de álcool durante a
gravidez é a única certa maneira de prevenir defeitos congênitos ligados ao álcool.
TABACO
O uso do tabaco durante o período gestacional também foi associado a uma série de
complicações, como:
• Parto prematuro;
• Restrição de crescimento intrauterino;
• Deslocamento de placenta;
• Abortamentos espontâneos;
• Placenta prévia.
Em relação ao desenvolvimento do bebê, o tabaco pode:
• Causar baixo peso no nascimento;
• Redução da circunferência craniana;
• Síndrome da morte súbita infantil;
• Asma – Infecções respiratórias;
• Redução de QI (Quociente de Inteligência);
• Distúrbios do comportamento.
COCAÍNA / CRACK
A cocaína, o crack e seus derivados também podem ocasionar problemas no
processo gestacional e ao desenvolvimento do feto.
• Anomalias congênitas – como hidrocefalia;
• Problemas cardíacos;
• Fissura palatina;
• Alterações no aparelho digestivo e urinário em bebês.
Isso mostra que a cocaína tem uma ação tóxica direta sobre o
desenvolvimento fetal.
A falta de preparo dos profissionais de saúde para a questão da dependência de SPAs
também podem contribuir negativamente para a busca de um tratamento como relatado por
Leppo A., em seu artigo: “Parece que o que Minna mais temia era estar perdendo a custódia de
seu filho, enquanto o profissional estava preocupado com os riscos para a saúde, ou seja, o cérebro
do feto”.
Estudos têm documentado mulheres grávidas usuárias de SPAs apresentando medo de ações
punitivas (perda de custódia infantil, prisão, julgamento e encarceramento) como uma barreira na
procura ajuda.
Estudos apontam que entre 24% e 63% das mães que usam drogas,
negam o consumo.
A literatura refere que, crianças submetidas a qualquer tipo de droga durante o período gestacional, mesmo
que em pequenas quantidades, são potencialmente susceptíveis a apresentar diferenças consistentes em
seu desenvolvimento biopsicossocial, quando comparadas a outras crianças-controle, com idades e
características demográficas semelhantes.
Placenta não oferece proteção fetal.
O efeito farmacológico no feto depende também da
substância utilizada, a dosagem e a idade
gestacional no momento da exposição.
SAN – Síndrome de Abstinência Neonatal, como resultado da
exposição à substâncias psicoativas na gestação, muitas crianças podem
nascer com disfunção do sistema nervoso, do sistema respiratório, do
sistema gastrointestinal e outros sistemas reguladores, necessitando de
terapias farmacológicas para gerenciar de forma segura esse processo de
intoxicação.
Segundo o Conselho Ministerial sobre Estratégias de Drogas de Nova Gales do
Sul – Austrália, toda gestante usuária de substâncias psicoativas deve ter como
benefício as seguintes medidas:
1. Encaminhamento adequado para avaliação e cuidados especializados,
tanto no campo da dependência química como no da gestação de risco;
2. Acompanhamento com equipe multidisciplinar e gerente de caso, que se
mantenham estáveis e presentes durante toda a gravidez;
3. Tratamentos específicos para seu uso de drogas, o que pode incluir
aconselhamento, farmacoterapia e prevenção de recaída.
Atitudes que se esperam da equipe de saúde e que podem
1. Entendimento dos valores e das crenças das pacientes e postura livre de julgamentos perante a estes;
2. Atenção para o fato de que o uso de drogas nunca aparece isolado de fatores culturais e psicossociais;
3. Comprometimento em oferecer cuidados ótimos e oportunos;
4. Compreensão da dependência como uma questão de saúde, e nunca como uma questão digna de julgamentos morais
ou de caráter;
5. Capacidade de criar um ambiente seguro e que garanta privacidade e confidencialidade as gestantes;
6. Identificação de potenciais barreiras ao tratamento e desenvolvimento de estratégias para superá-las;
7. Reconhecimento dos sentimentos da mulher e de suas percepções;
8. Entendimento de que é difícil para as gestantes revelar seu uso de drogas e álcool durante a gravidez;
9. Entendimento da importância de se estabelecer um relacionamento profissional sólido e confiável;
10. Atenção para o fato de que gestantes usuárias de drogas costumam ter vários profissionais da saúde envolvidos em
seus cuidados, necessidade de integração.
“A vida tem duas faces: Positiva e negativa.
O passado foi duro mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande sabedoria.
Que eu possa dignificar, minha condição de mulher, aceitar minhas limitações.
E me fazer pedra de segurança dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes.
Aceitei contradições lutas e pedras
como lições de vida e delas me sirvo.”
Comorbidades psiquiátricas nas Mulheres
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